RMS Titanic: Momento a momento


Em 14 de abril de 1912. Há 108 anos, o segundo transatlântico da classe de navios Olympic, o RMS Titanic, colidiu com um iceberg em sua primeira travessia pelo Atlântico a caminho de Nova York.


A colisão com a massa de gelo ocorreu em sua quinta noite de viagem, por volta das 23h40min. Havia 2.224 pessoas a bordo do navio dentre passageiros e tripulantes. Apenas 710 pessoas foram salvas. A tragédia levou consigo 1.514 vidas. Hoje, nesse post reviveremos um pouco dessa noite história famosíssima momento a momento


Foto: Titanic ancorado em Southampton, Inglaterra.


21h 30min


O Titanic zarpou de Southampton, na Inglaterra, no dia 10 de abril de 1912, uma quarta-feira. Havia a princípio 992 passageiros a bordo. O navio deveria atracar nos portos de Cherbourg, na França, e em Queenstown - atual Cobh -, na Irlanda, para apanhar mais passageiros. Levantou âncora rumo a Nova York na tarde de 11 de abril, quinta-feira.


Francis Mary Hegarty Browne foi um Jesuíta e fotógrafo irlandês. Em abril de 1912 ele ganhou de presente de seu tio uma passagem na viagem inaugural do RMS Titanic de Southampton, Inglaterra, para Queenstown, Irlanda, via Cherbourg, França. Ele viajou para Southampton via Liverpool e Londres, embarcando no Titanic na tarde de 10 de abril de 1912. Francis tirou diversas fotos enquanto estava a bordo e o deixou quando chegou em Queenstown. Suas fotos tiradas pouco antes do naufrágio renderam um famoso álbum intitulado “Titanic Album of Father Browne”.


Foto: Malas sendo embarcadas, Titanic Album of Father Browne.


Curiosidade Titânica:

O Titanic muito provavelmente zarpou sem um binóculo a bordo. O binóculo utilizado em suas provas de mar e utilizado para trazê-lo de Belfast, onde foi construído, foi guardado por um marinheiro chamado David Blair, que não estava a bordo na viagem inaugural. Ninguém com autoridade toma a iniciativa de mandar procurar o binóculo.


Foto: Convés do Titanic. Titanic Album of Father Browne


22h


Céu claro, sem nuvens, mar sereno. O Titanic navega na máxima velocidade que até o momento empregou - 22,5 nós, ou 41,6 km/h - após várias advertências de gelos enviadas através do telégrafo de vários navios nas redondezas. O mais próximo, um pequeno cargueiro chamado Californian, vê ao longe as luzes de um navio.


Foto: Inspeção das lâmpadas de sinalização a bordo. Titanic Album of Father Browne.



23h


É recebida do Californian a sétima advertência de gelo, notificando o Titanic que o cargueiro está parado, cercado por icebergs. John Phillips, um dos telegrafistas a bordo do transatlântico, responde:

“Caia fora. Cale a boca. Estou operando com Cape Race e você está bloqueando meu sinal”.

Phillips não passa a mensagem recebida à sala de navegação. Às 23h35min, Evans, o operador de telégrafo do Californian - o navio mais próximo do Titanic -, desliga o aparelho e vai dormir.


Foto: Águas congeladas onde ocorreu o naufrágio do Titanic, vistas poucos dias antes do desastre. Hulton Archive/Getty Images

Fonte: FARACO, SERGIO. O Crepúsculo da Arrogância.


23h 40min


Do cesto da gávea, o vigia Fleet vê, a menos de 500 metros, a massa escura de um enorme iceberg. Bate o sino três vezes e, com o telefone, liga para a sala de navegação.

“Há alguém aí?”, grita.

“Sim”, responde serenamente Moody, o sexto oficial. “O que você está vendo?”

“Iceberg! Direto à proa!”

Moody, educadamente, agradece.

37 segundos após o aviso do vigia, o Titanic colide em seu costado de boreste.


Sugestão: Titanic: Honor and Glory 108th Anniversary Livestream (https://www.youtube.com/watch?v=Ku4pwfSTZrw).


Foto: Capitão Edward J. Smith (à direita) e Hugh Walter McElroy. Titanic Album of Father Browne.

Fonte: FARACO, SERGIO. O Crepúsculo da Arrogância.



00h


Da memória de Lady Duff Gordon:


“Fazia uma hora que eu deitara, as luzes estavam apagadas e então fui acordada por um barulho terrível, algo que jamais ouvira antes. Era como se a mão de um gigante estivesse a rolar bolas de boliche. E então o navio parou.”



00h 10min


Interrompido em sua sala de estar, o engenheiro-chefe Thomas Andrews recebe a notícia da colisão, que não havia percebido. É informado da entrada de água nos dois primeiros compartimentos, onde ar é expulso com violência. Os funcionários dos correios abandonaram as correspondências no convés G, e logo após no convés F, com a água nos joelhos. Na sala de caldeiras número 6 uma divisória cedeu e um foguista foi soterrado por carvão. Na sala de caldeiras 5 a água também invade.


Andrews dá a notícia ao capitão Smith - “o navio está perdido”. Questionado, explica como, com tantos compartimentos alagados, a água passaria por cima das divisórias estanques, alagando os demais compartimentos.


Smith pergunta - “Quanto tempo o navio tem?”. “Uma hora, uma hora e meia, talvez”, Andrews responde.


00h 17min



Mensagem do Titanic a todos os navios:

“Titanic diz CQD em 41°44’N - 50°24’O. Requer imediato socorro. Venham logo. Colidimos com iceberg. Naufragando”.


00h 25min



O Capitão Smith e Wilde, o imediato, saem da ponte de comando com as seguintes ordens: todos, sem precipitação, preparem-se para abandonar o navio. Primeiramente, mulheres e crianças. O embarque de estibordo começa a ser coordenado por Murdock, o primeiro oficial; o de bombordo, por Lightoller, o segundo oficial.

Do Carpathia para o Titanic:

“Capitão ordenou meia volta em sua direção”.

Fonte: FARACO, SERGIO. O Crepúsculo da Arrogância.


00h 40 min


Em meio ao forte ruído do vapor sendo liberado pelas chaminés para que não houvesse uma explosão das caldeiras, o segundo oficial Lightoller avisa o capitão Smith que os botes estavam prontos para o embarque.


“Podemos começar o embarque das mulheres e das crianças?”, perguntou Lightoller. O capitão respondeu com um aceno da cabeça.


00h 50min


Um mecânico do Californian vê os primeiros foguetes lançados pelo Titanic e desconfia de que o transatlântico tem problemas. Guarda suas suspeitas para si.

Fonte: FARACO, SERGIO. O Crepúsculo da Arrogância.


01h


Wilde organiza embarque do bote Standard 8. Isidor Strauss, o então dono da rede de lojas de departamento Macy’s, traz sua esposa, Rosalie. No último instante ela retrocede e desiste de tomar o bote.


“Nós vivemos muitos anos juntos”, diz ela ao marido. “Aonde você vai, eu vou”.

O casal se afasta, sentando-se num par de cadeiras, à espera da grande onda que os varrerá do convés do Titanic e da vida.

Fonte: FARACO, SERGIO. O Crepúsculo da Arrogância.


01h 15min



Pronuncia-se a inclinação do navio para bombordo. O engenheiro Thomas Andrews, inconformado, exige que os oficiais lotem completamente os botes antes de arriá-los.

Do Baltic para o navio Caronia:

“Por favor, diga ao Titanic que estamos a caminho para ajudá-lo”.

Fonte: FARACO, SERGIO. O Crepúsculo da Arrogância.


01h 30min


O ritmo das evacuações nos botes acelera. De início, com o navio ainda pouco inclinado, o prognóstico de descer dezenas de metros pendurado em um bote pelo costado escuro do navio, no gélido frio do inverno, era bem menos atraente do que o calor do interior.


Diversos oficiais, inclusive, ainda duvidavam do diagnóstico do engenheiro Andrews. Agora, no entanto, existe pouca dúvida de que o naufrágio é inevitável. Não há mais apreensão. O procedimento de descida de cada bote se torna familiar e a lotação, chega ao limite.



01h 40min



Assim que alguns oficiais se apresentam para lançar o bote Dobrável C, dois homens da Terceira Classe saltam para o bote. Um comissário, que auxilia Wilde, saca sua pistola e dispara, obrigando-os a voltar para o convés. Outros dois homens, aguardando com cautela, embarcam: Bruce Ismay, presidente da White Star Line, companhia à qual o Titanic pertence, é um deles.

Fonte: FARACO, SERGIO. O Crepúsculo da Arrogância.


01h 50min



A inclinação para bombordo dificulta a descida dos botes de boreste, que raspam no costado. O oficial chefe ordena “Todo mundo a boreste!”, na tentativa de fazer contrapeso, o que não funciona.


Existem algumas teorias para explicar o que gerou esse adernamento. Antes mesmo de colidir com o iceberg, o Titanic já apresentava inclinação para bombordo por conta da distribuição desigual de carvão nos estoques. Além disso, um grande corredor apelidado do “Scotland Road” conectava a popa à proa no convés E, sem obstáculos e pelo bombordo do navio. Quando a água chegou a esse convés, teve o caminho livre para fluir, aumentando o desequilíbrio.


Fonte: MASSON, PHILIPPE. Titanic: a História Completa



02h 05min


O capitão Smith entra pela última vez na sala do telégrafo e dirige-se aos dois operadores - “Está bem, vocês fizeram o máximo. Podem partir. De agora em diante, cada um por si”. Os operadores arrumam seus papeis como de costume e saem ao convés das embarcações, onde os turcos estão todos desprovidos de botes.


02h 20min


As luzes do navio brutalmente inclinado se apagam, se acendem em um tom avermelhado, para então se apagar definitivamente. São ouvidos os estrondos, similares a trovões, de máquinas e caldeiras se desprendendo de suas bases e rompendo divisórias e o casco. A popa do Titanic se inclina mais, até quase ficar na vertical, enquanto termina de afundar e desaparecer nas profundezas.


Os barulhos do navio dão lugar aos gritos de socorro daqueles mergulhados na água. O som vai diminuindo gradativamente no decorrer da hora.


02h 30min


Nos botes, repetidamente a ideia de tentar resgatar aqueles na água é rechaçada. O bote 6 é a exceção, onde as mulheres desejam ir ao resgate de seus maridos. No entanto, o suboficial Hitchins se recusa - “Já há mortos demais”. Apenas 15 pessoas são resgatadas pelos botes, por conseguirem nadar até eles. Três não resistem e morrem a bordo.


Enfim, o oficial Lowe reúne os botes 4, 10 e 12 e a balsa D, transfere os ocupantes do seu bote, o 14, e ruma para os apelos, já fracos. Faz uma hora do desaparecimento do Titanic, e apenas 4 pessoas são recolhidas por Lowe. Assim, terminamos nossa parte de contar a história desse dia que entrou para história. Agora pedimos para vocês ficarem de olho na página do CEN que eles contarão um pouco mais sobre esse projeto da engenharia naval!

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